Lojas de Saber

Criadas por João José Pedroso Lima, as Lojas de Saber são sessões que decorrem no Exploratório há já mais de cinco anos.
O objetivo da iniciativa, segundo o seu fundador, é o de “facultar, de uma forma mutuamente enriquecedora, a experiência e o saber acumulado pelos mais velhos às novas gerações”. Por isso mesmo, cada uma das sessões conta com um(a) orador(a), geralmente "indivíduos reformados, com perfis diversificados, do mundo académico, ou não, e que estejam interessados em transmitir os seus conhecimentos de forma voluntária e solidária", que quinzenalmente vem ao Exploratório partilhar a sua experiência, o seu saber.

Atualmente, as Lojas de Saber decorrem na 1ª e na 3ª sexta-feira do mês, das 18h00 às 19h45.

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A Universidade de hoje: entre missões e demissões

Um olhar rectrospectivo, crítico, sobre o Século XX, permitiu já afirmar que, durante o seu decurso, «os ideais metafísicos, éticos, religiosos e, por fim, políticos, foram sendo desconstruídos um após outro». Por via disso, o mundo mudou. Numa época «fascinada pela velocidade», foge-nos o domínio das coisas. O Tempo e o Espaço adquirem novas significações e, como consequência disso, o Poder torna-se difuso, afastado do quotidiano dos cidadãos, deslocado para instâncias que operam a coberto da contestação e da crítica. O pensamento tende a unificar-se e a reproduzir-se como único. À liberdade, não corresponde um efectivo poder modificador.
Daí que valha perguntar:
Afirmado, o conhecimento, como palavra-chave para o progresso, quais o seu objecto e o seu sentido, quando projectado para os domínios, concorrentes, do político, do social, do económico e do cultural? Qual o lugar aí da Universidade? E qual, nela, o destaque a reconhecer ao diálogo entre Humanidades e Ciências Exactas?
Depois de Bolonha, qual a resposta, hoje, para a questão originária, colocada pelos críticos, na busca de saber «quais são as consequências epistemológicas para uma universidade que será daqui para a frente concebida como uma empresa entre outras?».
Será ainda possível a afirmação de que «a universidade não deve visar fins úteis; [devendo] oferecer aos seus alunos o acesso a todos os domínios do saber; e ser autónoma de todos os poderes»?
Finalmente, será ainda possível dizer que «a universidade é o sítio onde o pensamento tem lugar ao lado do pensamento, onde pensar é um processo partilhado sem identidade ou unidade… [em que] pensar em conjunto é um processo dissensual, que pertence ao dialogismo mais do que ao diálogo»?
Tudo, para que a Universidade, por sua natureza, possa continuar a afirmar-se enquanto «Espaço» e «Tempo» de cultura.

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Data: Sexta-feira | 15 dezembro 2017
Horário: 18h00
Duração: 1h45
Orador: Álvaro Laborinho Lúcuo - Professor Universitário e Ex-ministro da Justiça
Entrada Livre