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Lojas de Saber

Criadas por João José Pedroso Lima, as Lojas de Saber são sessões que decorrem no Exploratório há já mais de cinco anos.
O objetivo da iniciativa, segundo o seu fundador, é o de “facultar, de uma forma mutuamente enriquecedora, a experiência e o saber acumulado pelos mais velhos às novas gerações”. Por isso mesmo, cada uma das sessões conta com um(a) orador(a), geralmente "indivíduos reformados, com perfis diversificados, do mundo académico, ou não, e que estejam interessados em transmitir os seus conhecimentos de forma voluntária e solidária", que quinzenalmente vem ao Exploratório partilhar a sua experiência, o seu saber.

Atualmente, as Lojas de Saber decorrem quinzenalmente, às sextas-feiras, das 18h00 às 19h45.

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O VIDRO é um material de prestígio que tem permitido à Humanidade ter mais cor e luz, mais calor, conforto e bem-estar

A origem do vidro está envolta em lenda, mas geralmente é aceite que os primeiros vidros artificiais foram obtidos no Mediterrâneo oriental pelos Fenícios, 2500 anos a.C. Sabe-se que teve grandes desenvolvimentos pelos egípcios que tentavam imitar algumas pedras preciosas nomeadamente as turquesas. A técnica do soprado parece ter sido desenvolvida um século após Jesus-Cristo e permitiu a obtenção de recipientes ocos. Os achados em sepulcros no Extremo Oriente nomeadamente na China e no Japão além de muito rudimentares, apenas contas, são de produção muito posterior ás do médio oriente. As do Japão datam de entre 250 a.C. e 250 a.C. A partir do século XIII, a rica cidade de Veneza atraiu a si os artesões vidreiros do Egipto e da Síria. Todavia os inconvenientes dos fornos como os cheiros e os riscos de incêndios empurraram estas oficinas para os arredores, nomeadamente para Murano. Paulatinamente foi-se criando o fluxo dos vidreiros para a Europa Central, nomeadamente para a Boémia e depois para a Flandres, para Espanha e para Portugal. O gótico das catedrais, do século XII ao século XV, necessitava de vidro para os seus vitrais e estes lugares de culto passaram a ser mais bonitos e mais confortáveis para os fieis, que no românico. Começa a corrida ao vidro sob a perspetiva do prestígio e do luxo que se acentua com os reis absolutistas: em França, com Luís XIV, em 1665 com a Saint-Gobain; em Espanha, com Filipe V neto do primeiro, em 1727 com a Real Fábrica de Cristales de La Granja, perto de Segóvia e em Portugal, com João V, em 1731, com a Real Fábrica de Espelhos e Vidros Cristalinos em Coina. O vidro dava-lhes as respostas aos usos sumptuários da época: os espelhos e os candelabros nos palácios e os objetos decorativos e de uso de mesa. As incipientes garrafas de vidro para vinho surgiram no século XVII mas na época os recipientes mais comum ainda eram os materiais regionais: cabaças, cântaros e botijas de cerâmica, recipientes metálicos, etc. Chega-se ao século XIX e inicia-se a democratização do uso vidro. A revolução industrial dinamiza a Arquitetura do Ferro e do Vidro. É assim que em 1851 se construiu o Palácio de Cristal em Londres para albergar a exposição industrial. No Porto o Palácio de Cristal é inaugurado em 1865. Para eles são necessários muitos m2 de chapa de vidro. No século passado o vidro passou a ser um material corrente dividindo-se por três setores principais tais como: o vidro plano para a envidraçamento das construções e dos veículos de transporte; o vidro de embalagem com as garrafas, boiões e outros recipientes; e o vidro decorativo e doméstico de mesa. Estas necessidades de mercado foram satisfeitas com a evolução dos fornos descontínuos, de potes, para os fornos contínuos, de tanque. A conformação dos recipientes e da chapa evoluiu do manual para a semiautomatização, nos anos quarenta, até à automatização nos anos sessenta. Hoje é comum a aplicação da robótica nesta e noutras fases da produção.
Conclusão: as tecnologias não evoluem sozinhas, dependem umas das outras numa relação biunívoca. Assim também tem acontecido como o Vidro. O seu processo produtivo foi sendo influenciado por várias ciências e tecnologias. Mas ele também é impulsionador de outras nomeadamente as dos consumos eficientes e da reciclagem da energia e dos materiais, dos estilos arquitetónicos e da indústria automóvel, da embalagem e da moda. Diz-se que o futuro a Deus pertence, mas pelos dados atuais podemos esperar do vidro novas prestações tais como: na arquitetura, na climatização dos interiores e em sistemas de eficiência energética; Em várias aplicações dos vidros técnicos na eletrotecnia e na eletrónica e em equipamento da biomédica; Nos isolamentos de sistemas térmicos com vidros para altas temperaturas; No confinamento de resíduos perigosos, nomeadamente os radioativos, etc.

Data: Sexta-feira | 17 fevereiro 2017
Horário: 18h00
Duração: 1h45
Orador: Maria Schultz Loup - Engenheira Química Industrial
Entrada Livre


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