Lojas de Saber

Criadas por João José Pedroso Lima, as Lojas de Saber são sessões que decorrem no Exploratório há já mais de cinco anos.
O objetivo da iniciativa, segundo o seu fundador, é o de “facultar, de uma forma mutuamente enriquecedora, a experiência e o saber acumulado pelos mais velhos às novas gerações”. Por isso mesmo, cada uma das sessões conta com um(a) orador(a), geralmente "indivíduos reformados, com perfis diversificados, do mundo académico, ou não, e que estejam interessados em transmitir os seus conhecimentos de forma voluntária e solidária", que quinzenalmente vem ao Exploratório partilhar a sua experiência, o seu saber.

Atualmente, as Lojas de Saber decorrem na 1ª e na 3ª sexta-feira do mês, das 18h00 às 19h45.

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Os Minerais em Geofarmácia e Geoterapêutica

São apresentados alguns exemplos da importância de certos minerais em Geofarmácia e Geoterapêutica. Inicialmente são apresentados os conceitos e objetivos da Geofarmácia, assim como os conceitos de mineral, stricto sensu (s.s.) e lato sensu (s.l.) e de Geologia Médica. A Geofarmácia é definida como sendo o domínio científico que, no âmbito das Ciências Farmacêuticas, formula e prepara fármacos em conformidade com as Farmacopeias e, nos quais participam minerais lato sensu (ou minerais s.l.), conceito adiante exposto. A Geoterapêutica é definida como sendo o domínio científico que no âmbito das Ciências Médicas estuda, prescreve e supervisiona o uso dos minerais s.l. para fins terapêuticos. A informação científica que ao longo dos tempos foi sendo adquirida, mostra que o conceito ou definição de mineral lato sensu (s.l.), adotado em Geofarmácia e em Geoterapêutica, engloba os minerais propriamente ditos ou minerais stricto sensu (s.s.) (definidos como sólidos naturais, inorgânicos e cristalinos) e os elementos químicos (naturais e de origem inorgânica que, ou são formadores dos minerais propriamente ditos, ou neles ocorrem de modo acessório e menor, e que no meio ambiente existem, ou na forma livre em solução iónica, ou dispersos atmosfera, ou ainda no solo fixados de modo reversível nas superfícies externas de minerais secundários como é o caso dos minerais argilosos), que tanto podem ser essenciais e benéficos à vida do homem, dos animais e das plantas, como podem ser deletérios a estes mesmos seres quando em excesso ou em deficiência. O conceito de mineral s.l. abrange também os chamados nanominerais alguns dos quais podem ser utilizados no transporte e libertação do medicamento apropriado no local afetado e, ainda, certos tipos de água mineral natural utilizada no termalismo e de gás natural (caso do radão) com efeitos na saúde humana e, excecionalmente, os chamados biominerais, tanto bioessenciais como patológicos, desenvolvidos por atividade celular no corpo humano. A Geologia Médica, disciplina emergente criada em 1997 e que para alguns autores compreende a Geofarmácia e a Geoterapêutica, examina os impactos tanto positivos como negativos dos materiais e processos geológicos na saúde do homem e dos ecossistemas. A Geologia Médica avalia as relações complexas entre os fatores geoambientais e os seus impactes nos humanos e, no seu modo integrado ela promete uma compreensão mais holística da ocorrência, mobilidade, biodisponibilidade, bioacessibilidade, exposição e mecanismos de transferência dos contaminantes de origem geogénica na cadeia alimentar e nos humanos, assim como os impactes ecotoxicológicos e os efeitos na saúde e a identificação da etilogia da doença causada. Muito cedo, admite-se que desde os alvores da Antiguidade, o homem, naturalmente primeiro de modo empírico, descobriu que certos produtos naturais a que mais tarde veio a chamar minerais, quando ingeridos ou aplicados topicamente, tinham efeitos curativos em certas doenças do foro digestivo e do foro dérmico, tais como aliviar indisposições e intoxicações gástricas, sarar feridas e parar hemorragias e, podiam também ter efeitos benéficos (cosméticos e estéticos) no cuidado e tratamento da pele. Entre os primeiros minerais utilizados pelo homem com fins curativos salienta-se a chamada terra medicinal, também conhecida por terra sigillata ou terra sellada particularmente explorada em certas ilhas vulcânicas do mar Egeu, terras que foram comercializadas e utilizadas desde a Antiguidade até ao século XVIII. Cada uma dessas ilhas produzia a sua própria terra medicinal nomeada consoante a procedência. Com a evolução progressiva do conhecimento adquirido pelo homem viemos a saber que a terra medicinal é um material geológico ao qual foi atribuído o nome de argila. Alguns tipos de argila, aos quais já no século XX foram reconhecidos propriedades e funções medicinais específicas e, também, nomes científicos e comerciais, assim como outras preparações farmacológicas baseadas em minerais passaram desde então a constar das Farmacopeias (das primeiras que surgiram no século XVI até às contemporâneas), como substâncias ativas ou como excipientes, num e noutro caso com funções diversas. Em regra, a atividade terapêutica dos minerais tem lugar ou por via oral ou por via tópica.
Como substâncias ativas de fármacos, certos minerais quando utilizados por via oral podem atuar como: antiácidos gástricos, protetores gastrointestinais, antidiarreicos, laxantes, antianémicos, antissépticos e desinfetantes, suplementos dietéticos. Quando utilizados por via tópica certos minerais podem atuar como: protetores dermatológicos, protetores solar, cosméticos. Certos minerais podem ainda atuar como abrasivos e atenuadores da sensibilidade dental, descongestionantes oculares, meios de diagnóstico e tratamento, imobilizadores em ortopedia e moldes em odontologia, contrastantes em meios de diagnóstico. Por sua vez, como excipientes de fármacos, os minerais têm as funções principais seguintes: lubrificantes, corretores de sabor, desagregantes, diluentes, pigmentos, dessecantes, emulsionantes e espessantes. A geofagia, particularmente através da ingestão das chamadas “argilas comestíveis” ou “edible clays”, é um bom exemplo do uso interno de minerais com fins curativos. O termalismo é definido como o uso da água natural mineral e de outros meios complementares para fins de prevenção, terapêutica, reabilitação e bem-estar. A crenoterapia envolve a utilização nos estabelecimentos termais de determinadas águas minerais consideradas medicamentos, em aplicações internas (ingestão e inalação) e/ou tópicas (banhos diversos e hidroterapia), águas que em regra são de circulação mais ou menos profunda, como são os casos das chamadas águas minerais naturais e das águas de nascente; umas e outras podendo evidenciar composição química diferenciada (bicarbonatada sódica, gasocarbónica, sulfatada cálcica, bicarbonatada sódica sulfúrea, cloretada, etc.), maior ou menor grau de mineralização (hipersalina, mesossalina, hipossalina) e, ainda, temperatura também diferenciada (quentes, as chamadas águas termais, ou frias na emergência. Em Portugal existem 36 Termas ativas entre 50 Termas conhecidas.
A crenoterapia pode envolver também a aplicação tópica das chamadas lamas curativas ou terapêuticas e das chamadas lamas cosméticas que, passam a ser denominadas peloides terapêuticos e peloides cosméticos caso as lamas naturais sejam submetidas a maturação artificial e a sua aplicação seja recomendada e acompanhada por especialistas com formação médica ou cosmética. A peloterapia e a terapia de lamas compreendem, respetivamente, a aplicação tópica para fins curativos de peloides e de lamas curativas, sob a forma de cataplasmas, emplastros e máscaras faciais, cujas principais funções são: antiséptica, anti-inflamação, desinfeção, proteção dérmica e proteção solar. A talassoterapia é outra atividade económica interessante que utiliza para fins terapêuticos e/ou cosméticos a água do mar, fonte de saúde e bem-estar porque é, naturalmente, altamente mineralizada; envolve ainda a aplicação de produtos derivados da água do mar, ou com ela estão relacionados, tais como: areias, algas, lamas, aerossóis marítimos, clima marítimo, etc. A água do mar tem composição, em termos de concentração de sais minerais e oligoelementos, quase idêntica à composição do plasma sanguíneo humano. lEm Portugal há 5 Centros de Talassoterapia situadas junto ao oceano: Thalasso Costa da Caparica, em Almada; Thalassoterapia & Spa de Vilalara, em Lagoa; Thalgo Prainha, em Portimão; Barra Thalasso S.A., na Nazaré; Baleira Thalasso & Spa, no Porto Santo. A haloterapia e a hidrohaloterapia são outras atividades económicas interessantes. Em Portugal existem 4 Centros de Haloterapia nas cidades seguintes: Porto, Lisboa, Castelo Branco e Aveiro. A psamoterapia é ainda outra atividade económica que utiliza para tratamento de patologias do foro músculo-esquelético ou simplesmente em práticas de bem-estar banhos de areia especial (como é o caso dos tradicionais banhos de areia carbonatada biogénica que, em meio natural, têm lugar na ilha do Porto Santo do arquipélago da Madeira e que, presentemente, também já podem ter lugar em balneários, no meio natural onde a areia é aquecida por exposição à radiação solar, ou no meio artificial do balneário por aquecimento artificial.

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Data: Sexta-feira | 17 novembro 2017
Horário: 18h00
Duração: 1h45
Orador: Celso de Sousa Figueiredo Gomes - Professor catedrático aposentado da Univ. Aveiro
Entrada Livre